Alcântara, MA: roteiro de 1 dia na cidade que “parou” no tempo

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Alcântara é uma cidade histórica, bem próxima a São Luís. E é conhecida por todos por ser “a cidade que parou no tempo”.

Alcântara: Ruínas e construções inacabadas

Alcântara: Ruínas e construções inacabadas

Para quem vai ao Maranhão para conhecer os Lençóis Maranhenses, durante a passagem por São Luís não pode deixar de fazer esse passeio. Ficamos 2 dias hospedados em São Luís e escolhemos 1 dia para descobrir Alcântara.

Antes de contar como chegar e o que fazer em Alcântara, vamos aprender um pouco sobre a história da cidade?

Um pouco sobre a história de Alcântara

Muito antes de chegar às terras de São Luís, os franceses chegaram primeiro em Alcântara, onde  foram feitas as primeiras construções maranhenses. Alcântara teve seu apogeu em meados do século 18. Logo após, a colonização migrou para São Luís, deixando de lado várias construções inacabadas, por isso Alcântara é muito conhecida pela número de ruínas e seu principal cartão postal é a inacabada Igreja de São Matias.

Igreja de São Matias, cartão postal de Alcântara

Igreja de São Matias, cartão postal de Alcântara

Durante essa época, a até então vila de Alcântara teve seu período de ouro onde foram desenvolvidas lavouras de cana-de-açúcar e algodão. Desse período ficaram heranças de grandes histórias e um rico conjunto de mais de 300 construções coloniais, algumas delas tombadas pelo IPHAN.

Como chegar em Alcântara, Maranhão

A forma mais fácil de chegar a Alcântara a partir de São Luís é pela Baía de São Marcos. No Cais da Praia Grande, em São Luís saem embarcações diariamente com destino a Alcântara. Devido ao fenômeno da maré cheia/maré baixa é preciso ir bem cedo para o Cais da Praia Grande (clique aqui para saber como chegar ao Cais da Praia Grande e para entender o fenômeno da maré cheia/ maré baixa). Haviam dois horários para saída da embarcação: 07hrs e 09hrs da manhã. Esse horário pode variar muito e tudo isso depende da maré.

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Para não perder a viagem, no dia anterior  fomos ao cais para obter informações. Encontramos muitas informações divergentes na web, e resolvemos tirar as dúvidas na bilheteria do próprio cais. Infelizmente, encontramos a bilheteria do cais fechada, pois chegamos após às 17h. Nessa passagem ao cais, fomos abordados por uma menina que se apresentou como “guia” de Alcântara. A menina nos ofereceu o passeio por R$ 60 reais e segundo a “guia” nesse valor estariam incluídos transporte marítimo e guia de turismo. Ficamos bem apreensivos e de cara não achamos muito confiável a abordagem dela. Fomos embora e deixamos para comprar nossas passagens no dia seguinte.

fique-ligadoDeixe para comprar sua passagem no dia e na hora do embarque. É mais confiável e seguro. Infelizmente, a
capital maranhense anda muito perigosa e todo cuidado é pouco nas ruas de São Luís. Por isso, não compre 
sua travessia fora das bilheterias do Cais e não contrate  guia fora de Alcântara.

Chegamos ao cais por volta de 07h40 e o catamarã já estava se preparando para partir.

Neste momento, tivemos que correr! O preço da passagem de ida e volta foi 12,00 reais. A travessia de ida foi super tranquila. Devido ao cansaço acumulado da viagem aos Lençóis Maranhenses, qualquer lugar que a gente encostava dormíamos. Afinal de contas foram 07 dias de saculejos, subidas, descidas e muitas caminhadas em Barreirinhas, Santo Amaro e Atins.

Passagem para travessia da Baía de São Marcus

Passagem para travessia da Baía de São Marcus

A travessia dura aproximadamente 1 hora e chegamos em Alcântara por volta de 9hrs da manhã.

O que fazer e o que ver em Alcântara, Maranhão

Chegamos ao Porto Jacaré (lugar de onde chegam e partem as embarcações), e as primeiras impressões já sinalizam a você que Alcântara é realmente um lugar que parou no tempo.

Chegada em Alcântara, Maranhão

Chegada em Alcântara, Maranhão

Saindo do Porto Jacaré, demos “de cara” com o Centro de Informações Turísticas de Alcântara. E lá tivemos a oportunidade de assistir um vídeo sobre a cidade. É legal e recomendamos você fazer isso, pois o vídeo lhe dá uma sinalizada sobre o lugar e te apresenta os locais mais interessantes para se conhecer na cidade.  É grátis.

Centro de Informações Turísticas em Alcântara, Maranhão

Centro de Informações Turísticas em Alcântara, Maranhão

Na chegada ao Porto Jacaré, você será abordado por guias. Normalmente é cobrado o valor de 10 a 20 reais por pessoa. Nós optamos por conhecer Alcântara sem o guia, apenas com o mapa oferecido no Centro de Informações Turísticas. Mas, se você deseja saber detalhes das construções e da história de Alcântara, recomendamos a contratação do guia. Como a gente gosta de tirar muitas fotos e fazer muitas paradas, fizemos nosso passeio sem o guia e não nos arrependemos. Mas se você tem o perfil daquela pessoa que gosta de saber todos os detalhes do local, pode contratar. O guia lhe dá uma visão diferente do lugar e lhe apresenta detalhes que podem passar despercebidos.

Após assistir ao vídeo, subimos a primeira rua de Alcântara, conhecida por Ladeira do Jacaré. A partir desse ponto, o lugar começa a revelar sua história em detalhes, cores e muitas ruínas.

 Ladeira do Jacaré: Onde o passeio começa


Ladeira do Jacaré: Onde o passeio começa

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Após a subida da Ladeira do Jacaré, chega-se a Praça e a Capela das Mercês, neste ponto é possível avistar a baía de São Marcus e a Ilha do Livramento.

Capela das Mercês: Após a subida do Largo do Jacaré.

Capela das Mercês: Após a subida do Largo do Jacaré.

Ilha do Livramento: Segundo moradores, cheia de mistérios e lendas

Ilha do Livramento: Segundo moradores, cheia de mistérios e lendas

Após alguns minutos de caminhada chega-se a ao cartão postal da cidade de Alcântara, a Praça Matriz, simbolo do apogeu e declinio da cidade. É nesta praça que estão as ruínas da Igreja de São Matias, local de parada para o primeiro descanso e belas fotos.

Igreja São Matias: Ruínas e símbolo de Alcântara

Igreja São Matias: Ruínas e símbolo de Alcântara

Igreja São Matias: Ruínas e símbolo de Alcântara

Igreja São Matias: Ruínas e símbolo de Alcântara

Em volta da Praça Matriz, você vai encontrar o Peulorinho, Prefeitura de Alcântara e Câmara de Vereadores e o Museu Histórico de Alcântara, que não entramos. Fizemos apenas uma parada para fotografar e seguimos em frente.

Praça Matriz, ao fundo o Pelourinho

Praça Matriz, ao fundo o Pelourinho

Visamos também a famosa Rua da Amargura, onde moravam os ricos barões da região. É neste rua que se encontra o Palácio Negro, local onde era comercializado os escravos.

Rua da Amargura em Alcântara, Maranhão

Rua da Amargura em Alcântara, Maranhão

Alcântara: fachadas com os azulejos portugueses

Alcântara: fachadas com os azulejos portugueses

Na sequência seguimos pela Rua Grande, em direção à Igreja Nossa Senhora do Carmo. A bela construção já passou por muitas reformas e restaurações. Hoje é a igreja mais conservada de Alcântara.

Chegando na Igreja Nossa Senhora do Carmo

Chegando na Igreja Nossa Senhora do Carmo

Após passagem pela Igreja Nossa Senhora do Carmo, seguimos pela Rua Miritua, onde fizemos uma parada na Sorveteria Açaí, onde demos uma pausa no passeio para tomar um delicioso sorvete. Falando em delicia, outra iguaria que você vai encontrar por aqui é o famoso Doce de Espécie, feito a base de coco. Compramos uma bandeja com 6 unidades por R$ 10,00.

Alcântara: Parada estratégica para um sorvertinho

Alcântara: Parada estratégica para um sorvertinho

Doce de Espécie: Famoso no Maranhão

Doce de Espécie: Famoso no Maranhão

Nosso passeio já estava chegando no final, seguimos em direção as nossas últimas paradas: Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos e Casa de Cultura Aeroespacial. A Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos foi construída em 1780 e benzida em 1803, nesta ocasião a igreja recebeu as imagens da Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito. Paramos uns minutos dentro da igreja para assistir um senhor contar algumas histórias e curiosidades locais, entre as histórias que mais nos chamaram a atenção foi a sobre a duração das missas na igreja.

Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos

Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos

A Igreja Nossa Senhora do Carmo, era conhecida como a igreja dos “brancos” e a Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos era conhecida como a igreja dos ‘negros”, aqui a missa começava depois e terminava antes, pois os escravos precisavam deixar e buscar seus “sinhozinhos” na missa dos “brancos” da Igreja Nossa Senhora do Carmo.

No final, o senhor deu uma demonstração do “Tambor de Crioula”, ritmo africano realizado pelos escravos dentro da igreja em homenagem à São Benedito.

Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos

Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos

Tambor de Crioula na Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos

Tambor de Crioula na Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos

Nossa última parada foi na Casa de Cultura Aeroespacial, a casa é tipo um “museu” do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Para quem não sabe, a cidade maranhense é desde 1983 sede da base brasileira de lançamento de foguetes. A escolha de Alcântara para sediar o projeto se deve por sua proximidade com a linha do Equador, que segundo os especialistas é favorável para os lançamentos. E apesar de não ter tido nenhum sucesso em seus lançamentos, a base é considerada uma das melhores do mundo, devido a sua vantajosa posição a dois graus da linha do Equador. Dentro da Casa de Cultura Aeroespacial você assiste um vídeo sobre o projeto e conhece tipos de foguete. A entrada é gratuita.

Casa de Cultura Aeroespacial em  Alcântara no Maranhão

Casa de Cultura Aeroespacial em Alcântara no Maranhão

Casa de Cultura Aeroespacial em  Alcântara no Maranhão

Casa de Cultura Aeroespacial em Alcântara no Maranhão

Bela Vista: um agradável espaço em Alcântara para almoçar e se hospedar

Durante nossa passagem por Atins, recebemos indicação de um colega de viagem que durante o  nosso passeio a Alcântara não deixássemos de conhecer o restaurante Bela Vista.

Bela Vista: boa surpresa em Alcântara

Bela Vista: boa surpresa em Alcântara

Depois de tanto andar pela cidade, estávamos exaustos, com sede e fome. Depois de conhecer a Casa de Cultura Aeroespacial, seguimos em caminhada para o Bela Vista.

fique-ligado Não existem placas de sinalização indicando como chega ao lugar, por isso é importante que desse ponto em diante você se informe com moradores locais sobre como chegar. Assim você evita de se perder ou fazer um caminho mais longo. Você também pode tentar um táxi.

Para chegar ao local, caminhamos aproximadamente de 15 a 20 minutos. E chegando na entrada do lugar,  ficamos impressionados. As árvores cortinavam um lindo e agradável lugar. O encanto foi imediato e ali ficamos descansando. Dica: Leve roupa de banho! No local tem uma bela piscina para os clientes do lugar.

Bela Vista: Pousada e restaurante com piscina para clientes

Bela Vista: Pousada e restaurante com piscina para clientes

Apesar do lindo lugar, ficamos um pouco desapontados com atendimento. Desistimos de almoçar, pois fomos avisados que a comida iria demorar. Com isso optamos por bebidas e pastéis – que demoraram uma eternidade.

Sucos de Abacaxi com Manjericão: serviço demorado

Sucos de Abacaxi com Manjericão: serviço demorado

Além do restaurante, o lugar é uma pousada e possuía poucos funcionários.  Próximos a nós estava um outro grupo que pediu uma refeição que também demorou bastante tempo.

Bela Vista: mirante com vista para o mar

Bela Vista: mirante com vista para o mar

Estávamos tão empolgados com lugar, mas esse incidente estragou tudo. Mas no geral, vale a pena conhecer. Talvez fosse um dia atípico.

Volta de Alcântara para São Luís

Se você tem problemas com o “balanço” do mar, tome seu remédio para enjôo, pois durante a volta (se o mar estiver revolto), o catamarã balança fortemente. Esteja preparado para isso.

Como neste horário a Baía de São Marcos (nas proximodades do Cais da Praia Grande) estava vazia, a embarcação teve que nos deixar na Praia da Ponta da Areia.  De lá, o serviço ofereceu uma van que nos deixou no centro de São Luís – bem de frente ao Cais.


SUPERGUIA


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9 Comentários

  1. De fato, Alcântara é voltar à história com a memória dos mais antigos, os casarões, as ruas de pedras, a culinária, a bela vista ao redor, sua paz e o tempo. Como minha avó era descendente de escravos foi bom conhecer o lugar e saber que ali muitas vidas foram ceifadas com a escravatura, muitos trabalharam para construir este país. Eu sou a reminiscência daquilo que se foi, mas muito presente quando lá estive para comprovar, em junho/2015. Fiquei encantada em pisar o solo que meus ancestrais tiveram que, à força fazer a sua nova moradia.

    • Lúcia! Obrigado pelo comentário! Estivemos lá também nessa época! Realmente é voltar e viver um pouco aquele tempo.

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